As características do povo Suyá
Os Suyá são grandes agricultores e pescadores, cuja dieta variada consiste não só de mandioca, mas também de cará, batata doce e alguns tipos de leguminosas, além de frutas, os Suyá alimentam-se primariamente de beiju de mandioca e sopa de côco de bocayuva.
Moradores da região alto Rio Xingu, entretanto, os Suyá aprenderam a arte da coleta de mel com os índios Kayapó.
Os Suyá são também grandes fabricantes de sal, que eles utilizam como moeda, trocando a commodity por cerâmica Waurá, por exemplo. O sal dos Suyá é obtido pela incineração do aguarapé (Eichhornia azurea), uma planta aquática, a destilação de sua cinza e condensação da solução restante.
Enquanto os índios Txukarramães do cerrado do médio Xingu, utilizam o disco labial como distintivo masculino desde a infância, os Suyá somente começam a usar o disco por ocasião do casamento, quando já adultos.
A diferença na maneira em que os dois utilizam o disco é que para os Txukarramães, a posição do disco na boca do usuário demonstra seu humor.
O disco levantado verticalmente escondendo parte do nariz significa "zanga" ou "vergonha", segundo o antropólogo Harold Schultz, que passou um mês na década de 60 entre os Suyá.
Feito de pau de caixeta, o disco labial exerce pressão constante sobre a dentadura do maxilar inferior causando o deslocamento dos dentes da frente, provocando às vezes sua perda total.
Schultz conta que a pele distendida do lábio torna-se muito fina ao longo dos anos e não é infreqüente que os mais velhos tenham ferimentos em torno dos lábios.
O lábio é lavado diariamente, repetidas vezes, à hora do banho, e pintado com tinta oleosa de urucum.
"Quando um disco em uso fica ligeiramente avariado", diz Schultz "é logo jogado fora... o Suyá casado possui um ou vários sobressalentes".
Fonte: O Estado de S.Paulo (www.estadao.com.br/villasboas/xingu.htm)