O legado dos Villas Bôas

Os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo costumavam se referir ao Parque Indígena do Xingu como "uma sociedade de nações". Era isso que eles tinham em mente quando lutaram para que a reserva fosse criada, fato que ocorreu em abril de 1961, num decreto assinado pelo então presidente Jânio Quadros. Essa é melhor definição para o Parque do Xingu. Em seus 26,4 mil quilômetros quadrados - maior que o Estado de Sergipe - vivem, hoje, mais de 4 mil índios, de 14 etnias, e que falam dez línguas. É, de fato, uma sociedade de nações. Cada uma com seus rituais, deuses e costumes próprios. E, apesar das diferenças, vivendo em paz. Sem os Villas Bôas, nada disso seria possível.
Durante a Expedição Roncador-Xingu, eles não só fizeram o contato do homem branco com o índio, como também promoveram a paz entre os distintos povos indígenas. Os suiás e os caiapós, por exemplo, eram inimigos mortais. Hoje convivem em harmonia no Xingu. Leonardo morreu no ano da criação do parque. Cláudio, morto em 1999, e Orlando nunca se desligaram da selva e da vida com os índios. Ambos viveram no Xingu até 1978, quando voltaram para São Paulo e passaram a trabalhar como assessores da Funai.




Fonte:Revista Terra