Roncador-Xingu: a expedição

A Expedição Roncador-Xingu, anunciada no início da década de 40, durante o governo de Getúlio Vargas, visava o mapeamento da região central do Brasil e a abertura de caminhos que a ligassem ao restante do País.
Considerada a maior aventura brasileira do século 20, a expedição, iniciada em 1943, é considerada o marco do relacionamento do homem branco com as tribos indígenas.
Duas bases foram instaladas para o chamado ‘avanço desenvolvimentista’: em Aragarças (GO), e Barra do Garças (MT). Conhecido como Marcha para o Oeste, o movimento de colonização integrou cerca de 40 sertanejos, provenientes, principalmente, do Centro-Oeste e da Bahia.
O encontro entre os sertanejos e as tribos indígenas só ocorreu em 25 de julho de 1945, quando o grupo ficou frente a frente com 30 xavantes. O processo de reconhecimento, embora lento, surtiu grandes resultados e contribuiu com a preservação dos povos indígenas da região.

Novos rumos

Um dos mais importantes resultados desta empreitada, que teve na liderança os irmãos paulistas Leonardo, Cláudio e Orlando Villas Bôas, é a criação do Parque Indígena do Xingu, em 1961. Neste mesmo ano, Leonardo morreu precocemente. E os irmãos Cláudio e Orlando resolveram, então, alterar o objetivo inicial do projeto – que visava, principalmente, o desenvolvimento da região –, implantando uma política que consistia no isolamento e defesa da cultura indígena, para preservar a riqueza étnica de cada tribo identificada durante a expedição.
Paralelamente, neste período, nasceram cidades e estradas e o desenvolvimento chegou a locais anteriormente considerados inabitáveis. Com muito esforço político, os Villas Bôas também conseguiram substituir o Serviço de Proteção ao Índio pela Fundação Nacional do Índio (Funai), criada em 1967 para revitalizar as ações do governo relacionadas ao povo indígena.
Durante cerca de 40 anos, a Marcha para o Oeste fundou mais de 40 vilas e cidades, ergueu quase duas dezenas de campos de pouso e estabeleceu contato com mais de cinco mil índios, ao percorrer em torno de 1,5 mil quilômetros de picadas abertas pelo grupo de sertanejos e rios.



Fontes:

Rota Brasil Oeste
Revista Terra