O Parque Indígena do Xingu
Criado por ato do governo federal em 1961 o Parque Indígena do Xingu (PIX) está localizado ao norte do Estado do Mato Grosso, possui uma extensão de 2,8 milhões de hectares e um perímetro de 920 quilômetros. Localizado em uma área de transição ecológica, formada por florestas tropicais ao norte e cerrado ao sul, a região apresenta grande complexidade no que diz respeito à situação ecológica, social e cultural. É habitada por catorze etnias – Kuikuro, Kalapalo, Matipu, Nahukuá, Mehinaku, Waurá, Aweti, Kamaiurá, Trumai, Yawalapiti, Suiá, Kaiabi, Ikpeng e Yudjá - que falam línguas diferentes, distribuídas em 49 aldeias e postos, com uma população de cerca de 4.700 pessoas.
A ocupação da região
O processo de ocupação da região na qual o Parque está inserido ocorreu a partir da década de 1970, com a chegada de projetos agropecuários e de colonização privados e governamentais, como parte das políticas oficiais para a ocupação e integração da Amazônia e Centro-Oeste com os Estados do Sul do País, consolidada a partir da construção das rodovias BR-163 (que liga Cuiabá a-Santarém) e BR-158 (que liga Barra do Garças (MT) à Redenção (PA)).
Desde a criação do Parque até meados da década de 1980, seus habitantes viviam numa situação de isolamento do mundo exterior e contavam com uma presença forte e protecionista do Estado brasileiro. A partir de então, a presença e a assistência do Estado diminuiu e os índios do PIX começaram a se dar conta da situação de vulnerabilidade de seus limites territoriais e da sustentabilidade dos seus recursos naturais.
Tornaram-se testemunhas do alastramento das queimadas originadas nas fazendas que foram se instalando no seu entorno, das invasões intermitentes de caçadores e pescadores, do assoreamento dos seus rios decorrente do crescente desmatamento, do risco da contaminação das águas pelo uso de defensivos químicos nas atividades agrícolas e da intensa exploração ilegal dos recursos madeireiros.
Fonte: Instituto Socioambiental (www.socioambiental.org)