Panorama demográfico começa a mudar
No final da década de 60, a população de Ikpeng era de 50 índios

Quando conheci os Ikpeng, poucas semanas antes de seu resgate pelos indigenistas, sua população era muito escassa. Os 56 indivíduos que chegaram vivos ao posto Leonardo Villas-Bôas rapidamente foram reduzidos a 50, resultado de uma morte acidental e cinco por doenças. A partir do final de 69, porém, os nascimentos aumentaram e quando lá regressei, em 1972, os Ikpeng somavam um total de 62.

A curva populacional dos Ikpeng antes do ataque dos Wauja, que marcou o início de sua decadência, era relativamente estável, uma vez que os confrontos com outros grupos não suscitavam muitas mortes e, provavelmente, não tinham ainda sido expostos a infecções virais de que não tivessem defesa. Assim, de 1932 a 1952, de acordo com uma série de fontes, os Ikpeng contavam com uma média de 148 pessoas.

Se nos interrogamos quanto aos fatos desse brutal declínio durante a década de 60, quando a população foi reduzida em mais da metade, percebemos claramente que a mortalidade por doença foi superior à mortalidade violenta. Mas nas décadas seguintes houve uma efetiva recuperação demográfica e hoje os Ikpeng somam 315 indivíduos.





Pesquisa: Patrick Menget – antropólogo, professor da L'Université Libre de Bruxelles. E-mail: pmenget@yucom.be

Fonte: Instituto Socioambiental (www.socioambiental.org)